
Depois de um longo tempo longe dos estudos e artigos sobre a arte do toureio, Casa de Manolete rasga o silêncio para voltar ao silêncio do luto.
Hoje completam-se 5 meses que perdemos nosso caro professor Orlando Fedeli. Este homem que devolveu a Fé a tantos amigos espalhados pelo Brasil e também a nós. Este homem que nos ensinou - sempre gratuitamente pois a verdade não tem preço - a conhecer e amar a Deus e a sua Igreja. Amar filialmente o Santo Padre, Doce Cristo na Terra.
Devemos ao professor inclusive a dita graça de conhecermos a beleza da Tourada. Foi ele quem nos explicou os símbolos e os valores desta arte, e como ela nos aproxima de Deus.
A tourada ensina ao homem o seu local no drama da existência. Ela nos diz como se deve portar uma alma neste tenebroso vale de lágrimas, cheio de dores e amargos sofrimentos; como enfrentar o touro bravio da carne de nossas paixões concupiscentes; como domar a fera sedutora do mundo; como driblar as investidas furiosas do demônio, sem medo, de pé, com confiança em Deus e sob o manto da Virgem. Mas ai! Quantos tombos! Quantas imprudências e pecados cometemos neste combate tremendo que no final decidirá se mereceremos ou não passar pela "puerta estreita" dos eleitos. Coroado com a coroa da Glória imperecível, no bem eterno da beatitude celestial.
O professor Orlando pode se assemelhar a um toureiro destemido. Com sua elegante luta contra as hostes destemperadas dos infiéis e inimigos da Igreja. O homem domado pela razão, fazendo gestos nobres com a espada da inteligência inebriada de heroísmo, sedenta de bravura. Porque, caro professor, nossa inteligência, como o senhor nos ensinou, é uma espada em riste posta em combate para defender a honra da Igreja. Os argumentos são gestos prontos para estocar uma alma, matando-a para o mundo, e ressuscitando-a no Sangue do Cordeiro. A inteligência é espada santa que penetra fundo no coração irracional do pecado, no monstro desordeiro posto na arena da vida. Sem desespero, com garbor e graça; sem impaciência, mas sábia na hora do golpe fatal.
Professor Orlando e Dona Ivone Fedeli
E eis-nos aqui ainda a peregrinar en las plazas de la vida com a lembrança dum grande toureiro das terras brasileiras. Amante maior da beleza moral da tourada. Admirador dos que desprezam a vida por um gesto nobre que seja, maiormente pelos heróis do martírio. Deixando-nos mudos de tristeza naquela negra tarde de miúra em que o pano da vida se fechou para ele. Enegrecido seus olhos senis que já não viam mais as alegrias ingênuas dos alunos que descobriam a verdade de Cristo como o caçador de tesouros à sua arca perdida. Seu riso quedado no caixote de madeira serenava a cabeça forte dos argumentos santos. Não mais o sorriso cortante dos dias enfadonhos da modernidade acinzentada; não mais a presença agradável do pequeno italiano de conversa fácil e amizades perenes... e inimizades honrosas também. Há cinco meses que vive na Casa do Pai esse que a Ele devotou sua vida e se consumiu inteiro. Consumido pela beleza da Casa de Deus. Consumido, enfim, pela beleza da bravura. Daquela santa bravura que faz os homens mais homens, posto que santos e límpidos, como a espada que tendo da cruz a santa forma e a amarga doçura fosse escândalo para alguns, e, para outros, loucura.
Casa de Manolete não só homenageia o professor, mas oferece todos os esforços dos estudos sobre esta arte a ele, que foi verdadeiro toureiro da Fé, que nos deu sua a vida e seu amor. Por amor à Deus.
Recife, 09 de Novembro de 2010.
Nossa última aula e foto com o professor, 5 dias antes de seu falecimento.
Emílio Paulo Filho
Antonio Manuel

