Percorrendo inúmeros sites do orbe taurino, pudemos constatar a crescente investida dos anti-taurinos, com protestos relâmpagos e passeatas, muitas delas à moda “naturalista”, como o "Personas por el Trato Ético a los Animales (PETA)". Alguns poderiam pensar que são protestos isolados que rondam apenas entre o ambiente taurino, porém, não dificilmente, ao se conversar sobre o assunto com uma pessoa que ignora absolutamente o que seja uma corrida de toros, logo temos o “quorum” pré-fabricado de oposição à tourada. Uma resposta automática que podemos conhecer os motivos...
O centro da oposição à arte taurina, em suma, gira sempre em torno do “sofrimento” do animal. Quando se quer saber o nível de compreensão que certa pessoa tem sobre tourada, é só esperar os relinchos que advém deste “argumento” meramente sentimental. Acontece que os homens deste triste século traidor foram tão bestializados por filosofias e doutrinas maléficas, influenciados por artes que decaíram e hoje se encontram cheias de vícios (aqui destacamos o papel da música), sem falar da revolução da “telinha”, do mal feito ao mundo pela televisão, que praticamente se formou uma cultura de massa avassaladora, cheia de conceitos rasos e obtusos que geram justamente esse “quorum” igualitário, ao qual é crime de lesa-majestade se opor. Assim, compreende-se o porquê de uma pessoa – sem conhecimento de causa – rotular uma cultura e uma arte, em dois tempos, de brutalidade e crime, entre “otras cositas mas”.
Dizíamos que o principal argumento dos anti-taurinos é o do “sufrimiento del toro”. Sendo ele o principal, derrubado, cairá também a máscara de quem o defende. Dois pontos devem ser analisados e bem compreendidos: 1) a irracionalidade do animal; 2) a proporcionalidade física do touro versus a do homem.
PRIMEIRO PONTO - O Touro, um animal irracional
O maior sofrimento que existe não é físico, é moral. O touro, assim como todos os animais, é irracional, apenas dotado de certa “inteligência concreta” ligada aos seus instintos. Os animais não tem capacidade de abstração como os homens, e isso não é nenhuma novidade. Assim, o touro não sabe (não tem consciência) quem é o toureiro, o que é a arena ou praça de touros, quais as regras do espetáculo, quem está lá, nem pra quê nem porque. Não sabe, nem mesmo conhece racionalmente quem é ele mesmo se se olhar num espelho. Então não tem dor moral, não chora quando gritam !olé! ou se entristece com quem torce pelo toureiro e não por ele. É um animal extremamente valente por natureza. Para se escolher os touros que vão para a arena, se suspende o animal a certa altura e, soltando-o ao chão, avalia-se a rapidez em que se levanta. Se levantar rápido, esse será um touro valente. Assim é o touro, caindo rapidamente se levanta com bravura e altivez!
Ora, ao contrário, quando um homem leva um tropeço na rua e se espatifa no chão não se envergonha ou chora pela dor da queda, mas pela desmoralização de ter caído. O homem, não conhecendo perfeita e absolutamente a natureza e a realidade que o rodeia, perdendo o controle sobre si mesmo e sobre a natureza sente vergonha. É a moral atingida que nos faz chorar. O Touro não sofre disso. O touro não se envergonha e não se ofende, pois não tem racionalidade para compreender. É sabido que toda ofensa é proporcional à dignidade da pessoa ofendida. Se alguém dá um tapa no rosto de um bebê, ele só chora pela dor, mas não compreende a ofensa. Se alguém dá o mesmo tapa num adulto, ele sofre mais com a injustiça e o insulto do que com a dor física do golpe recebido. Se alguém dá um tapa numa moça aproveitando-se de sua fraqueza, acrescenta malícia ao ato. Se a mulher em que se bate é uma velha, a culpa aumenta. Portanto, a culpa cresce em proporção da pessoa ofendida. Ora, o touro é um animal e não pode ser ofendido, em nenhum grau, não fazendo distinção sobre a pessoa que luta contra ele. Assim, o toureiro pode ser velho ou novo, um justo ou um pecador, nada disso faz diferença para o touro.
SEGUNDO PONTO – A proporção entre touro e homem
O Touro é um animal naturalmente bravo e pesa de 400 a 600KG. Todos os golpes nele infligidos pelos banderilleros e piqueteiros ou picadores não representam em nós senão um pequeno corte ou furo na mão ou onde seja. Essas coisas são feitas para estimular o touro, não para maltratá-lo. Não representam nada. Prova disso é que o touro é um animal com cerca de 20 litros de sangue, e que numa faena (principalmente depois do “castigo” imposto pelo “picador” com a puya) perde de 1L a 2L’s de sangue, entre 5% e 10% do total de sua capacidade. Quando doamos sangue, é retirado dos nossos 5 Litros a quantidade de 450ml a 500ml, ou seja, 10% do sangue que circula em nossas veias. Que fique claro aos anti-taurinos: o que o picador na suerte de varas inflige ao touro não representa em nós senão uma fina agulha ou pequeno corte que levamos acidentalmente. É bem sabido que até as banderillas são milimetricamente medidas, sendo proibido ser maior que o padrão estabelecido, para que não sofra o touro.
Todos um dia já jogaram futebol. Quem não sabe que por vezes ao nos machucar ou ferir, no calor do jogo, sequer sentimos dor? Até pouco tempo foi noticiado que um bandido foi baleado pela guarda republicana e continuou a correr, sem sentir dor alguma pelo alvejamento das balas. Ora, isso ocorre por causa da alteração do nível de certos hormônios em nosso corpo, como por exemplo, as endorfinas, a qual proporciona ao corpo forças e imunidades para enfrentarmos situações críticas sem desfalecer. Estes níveis de hormônios num touro bravo é especialmente elevado, abismais em relação ao homem. Assim, não bastasse a proporção dos instrumentos de castigo que se infligem ao touro, ainda temos na faena um touro extremamente excitado e conseqüentemente “anestesiado” por suas disposições naturais. Logo, o touro não sofre como o dizem os anti-taurinos.
CONCLUSIÓN – Românticos ou vegetarianos/ecologistas?
Pesquisando um pouco no Youtube, confirmei que essa turba de pessoas contra a Tourada ou são vegetarianos radicais ou são uns românticos mimados deste século. São pessoas que não compreendem ou nunca pensaram sobre sua própria natureza e sobre questões gerais de filosofia (os românticos desavisados) ou pessoas que optaram por uma filosofia naturalista/hinduísta, que não comem carne por questões doutrinárias. Estes últimos são piores, pois condenam, por princípio filosófico, uma coisa que é boa e sadia (a carne). Aqui não deixamos de condenar as pessoas que não dão o valor devido aos animais, menosprezando sua importância, vivo ou morto.
Neste quadro os românticos ganham disparados na contradição: afinal, dos que falaram contra a tourada, quem é vegetariano? A pergunta vem porque sabendo disto até se poderia entender a razão de ser contra. Essas pessoas são filosoficamente "impedidas", são amantes de ONG's, preocupadíssímas com o impacto ambiental, adoram a "Mãe Natureza" (criadora do universo e regente da evolução) e por aí vai. São ainda, de quebra, a favor das pesquisas com células-tronco embrionárias e favoráveis ao aborto, pra não deixar morrer o nazismo pop anti-metafísico da modernidade.
Eliminados os vegetarianos, será que os românticos que comem carne, pensam que ela brotou duma árvore? Alguém já viu como é abatido um Boi? Ponho aqui um vídeo "chocante, aterrorizante, pra quem tem estômago e etc, etc"(na linguagem dessa gente) de um boi sendo morto, com uma simples martelada na cabeça. Rápido e prático.
http://www.youtube.com/watch?v=gFXnN5F6d08&feature=related
Depois deste filtro, resta saber qual a diferença prática entre um matadouro e uma arena de tourada. É simples! Nas palavras do jornalista Arturo Pérez Reverte:
“Um touro nasce para lutar com a força de sua espécie e sua bravura, dando a todos, inclusive a quem o mata, uma lição de vida e de coragem. Por isso é necessário que se morram toureiros, de vez em quando. É a prova, o contraste de lei. Si a morte não jogasse na partida de modo equitativa, o espetáculo taurino seria somente um espetáculo; não o rito trágico e fascinante que permite ao observador atento juntar-se aos mistérios extremos da vida. Só isso justifica a morte de um animal tão nobre e formoso. Aí está, em meu juízo, a diferença!”
Ao touro se dá a oportunidade de lutar por sua vida (para o que está geneticamente preparado e onde o estresse e o sofrimento são infinitamente menores do que dizem os anti-taurinos), ademais, a luta com o homem – o maior inimigo possível – e com a maior honra que pode outorgar, em condições equivalentes, onde pode o animal sair vencedor ou ser indultado pelo público por sua bravura, por sua coragem, tendo a oportunidade de viver novamente e em excelentes condições na ganaderia. Além do espetáculo, da arte que o homem soube tirar desse animal, tudo se afasta dos frios 100% de chance de morte de um boi num matadouro. Uma morte técnica, sem beleza, sem poesia!
Por Emílio Paulo
Recife, 20/02/2009


Parabéns pela argumentação, clara e direta.
ResponderExcluirSempre ficava sem palavras contra os anti-taurinos quando vinham com essa conversa de sofrimento do touro. Agora saberei o que dizer.
Salve Maria, MEDIADORA DE TODAS AS GRAÇAS!
Não me enquadro em nenhuma das qualificações que vcs impõe aos anti-taurinos,no entanto acho que não devemos sair então pegando todos seres irracionais,e aferirem nos como são estes animais.Vc tem muita ideologia mas pouco conteudo!O mundo esta do jeito q esta graças a pessoas como vc q vivem na hipocrisia!
ResponderExcluirComecei a ler este blog, porque gosto de ideias, argumentações, pontos de vista; gosto de parar para apreender o máximo que consigo.
ResponderExcluirA explanação aqui (blog) apresentada é muito boa, completa, bem fundamentada, digna de ser lida, apreendida, mesmo que seja diferente do que defendo.
Ser extremista não é a melhor opção, acusar também não, rotular o próximo com impropérios também não...
Continuarei a vivenciar, a experimentar o mundo, com a sua diversidade, chamem-me hippy, mas gosto da diversidade humana, e um pouco de tolerância, permite-me ir além do que vejo com os olhos, permite-me não rotular, permite-me entender, e se não entendo, aceito; seria demasiada prepotência garantir que o meu ponto de vista é o correcto, num mundo de 6 biliões de pessoas.
Sem dúvida, a informação publicada é boa, mas não tentem rotular-me, por favor :)
olha; sua opinião sobre as touradas é um tanto boa...
ResponderExcluirmas quero perguntar-lhe se tu já fois um touro para saberes que ataques não causam lhe dor...
se fosse para nascer e morrer pela mão de um alguém que apenas se achas superior,então a honra não vale de nada para a vida,
não é preciso matar ou morrer para provar algo para alguém,por isso;os seres irracionais para mim são os próprios toureiros...