sábado, 9 de janeiro de 2010
2010 à vista, mas olhando ainda 2009
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Tal como disse há umas semanas atrás, estar na época do defeso propícia a que possamos reflectir; devemos pensar naquilo que correu mal na temporada 2009 e naquilo que podemos melhorar para 2010. Em todos os sectores da Tauromaquia, desde o aficionado, ao toureiro, ao forcado, ao empresário, assim como a imprensa e crítica taurina, deve haver reflexão.
Quando se começa a pensar naquilo que devíamos ter feito e não fizemos e naquilo que correu menos bem em 2009, muitos são os aspectos que nos ocorrem mas de todos os que nos vêm à cabeça, há sempre aqueles que são cruciais e que merecem mais atenção para que as coisas corram melhor no ano seguinte; não só para nós mas também para os outros, porque se queremos que as coisas evoluam não podemos pensar só no nosso umbigo.
Neste meu artigo vou reflectir sobre mim, e, consequentemente sobre este nosso site de todos os dias.
2009, foi para nós uma temporada de transição, onde muita coisa mudou, nomeadamente o visual do site. Eu diria que aconteceram mudanças de fundo que fizeram com que o site abrandasse um pouco o ritmo mas sem nunca deixar de dar as notícias de maior importância e em cima da hora, por mais que queiram fazer parecer que assim não aconteceu!
A nós o que nos interessa é que o aficionado continuou a estar bem informado e a frequentar o Toureio.com, prova disso é o site estar entre os 5000 mais visitados em Portugal, de entre todos os temas.
Neste ano de 2009, penso que houve uma maior selecção qualitativa das notícias, não havendo um bombardeamento constante de todo o facto noticioso que nos surgia, só para os outros dizerem que estamos muito actualizados e nos darem “boa nota”.
É bom relembrar que somos um site feito com a boa vontade,o sacrifício e a ajuda de muitos colaboradores mas sobretudo com a grande dedicação e aficcion que um projecto destes necessita, mesmo assim estamos conscientes das nossas limitações, trabalhamos para que elas sejam cada vez menores.
A prova do nosso esforço está na aceitação dos nossos conteúdos por parte dos aficionados; chegam-nos mensagens de apoio de todas as latitudes onde há Portugueses, de todas as partes do Mundo onde há aficionados e são eles que nos dão ânimo e vontade de seguir em frente. Para eles trabalhamos com a vontade que se impõe, com a frontalidade e com a coerência que se justificam.
Em 2009, realizamos a II Corrida Toureio.com em Beja, e, nesta sequência, aproveito para agradecer publicamente à Empresa G.Paulo e A.Sousa, encabeçada por Ferreira Paulo, por tudo o que fez para que tudo corresse pelo melhor. Já que falo em empresas taurinas, aproveito para dizer que é um sector onde também as mentalidades terão de mudar.
Os empresários têm de começar a meter na cabeça que não estão a fazer nenhum favor ao dar a entrada para o espectáculo (estão apenas a permitir a cobertura do espectáculo) e que também a imprensa não está a fazer nenhum favor à empresa por ir fazer a cobertura. Digamos que é uma “permuta” entre dois parceiros que tem que acontecer de forma natural e simples e da qual, sem sombra de dúvidas, o Empresário sai a ganhar, pois é ele que precisa de dar visibilidade ao seu espectáculo, ao seu negócio. Penso que a imprensa e as empresas têm de ser parceiros mas para que isso aconteça, os empresários têm de ter consideração pelos jornalistas: se tal não acontecer não contem connosco! Basta reflectir apenas; no que seria da festa se não fosse divulgada de forma alguma.
Voltando ao site e indo agora para a temporada 2010, julgo que será uma temporada de muito trabalho, pois muito há a melhorar no nosso/ vosso site. Para isso contamos com a vossa ajuda: que sejam os aficionados a dar sugestões ou a fazer reparos no que deve ser melhor em 2010. No entanto, podemos garantir-vos que em 2010 iremos continuar na mesma linha editorial e não iremos ceder a qualquer pressão vinda de onde vier e como tal iremos sempre pautar-nos pela verdade!
Espero que a temporada 2010, corra da melhor forma para todos os sectores da festa e que os aficionados se desloquem às praças. Porém, nunca se esqueça que para que isto aconteça é preciso que todos colaborem!
Fonte:http://www.toureio.com/mm/noticias/2009/novembro/6417.html
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
O Filósofo Édipo

Seu Édipo era dono da movimentada quitanda que se localizava na esquina de uma rua qualquer. Apesar da muita faina e da lida diária, ainda arrumava tempo para temer a morte, e de tanto temê-la tornou-se uma espécie de filósofo do trágico. Honrava-se primeiramente do nome dado pelo pai, modesto professor de história de uma escola do município não menos modesta, que era admirador da arte e da inteligentsia grega. Não raro, desde criança, seu Édipo ouvia subitamente o pai dizer: “os gregos eram demais”. Quando acabava o jantar, “os gregos eram demais, eles explicam tudo”. O almoço e o café, a mesma coisa. A senhora sua mãe ouvia indiferente a admiração do marido e só achava os gregos demais quando ele trazia dinheiro para dentro de casa. No dia em que ele comprou um sofá novo que ela tanto pedira, disse em conversa, esparramada no sofá, “os gregos, como você sempre diz, eram demais.”
Entre uma admiração e outra pelos gregos crescia o jovem Édipo e quando soube da história do seu nome já se sentia um pouco grego, logo “eu sou demais”, pensava no seu íntimo infantil. Mas um dia a tragédia da história do seu xará caiu em sua alma adolescente e desde aquele dia seu sossego de grego do Olimpo se foi na idéia da perenidade e tragicidade da vida. Será que meus pais não são meus pais e que eu sou filho adotivo? Ficava vendo nas fotos as semelhanças físicas dos seus genitores com a sua e sempre se aliviava quando via um sinal que carregava que era muito parecido com o da mãe. Pelo menos a mãe é minha mesmo, conjecturava...
Um dia chegou a maturidade e esses busílis infantis cederam lugar a uma preocupação que nunca o deixara, a morte. Carregando as necessidades da vida mais a subtil preocupação da morte, tornou-se homem e de homem veio a imposição do trabalho e o que lhe sobrou no latifúndio da herança laboral da humanidade foi uma quitanda, que ergueu depois de um empréstimo quase suicida feita a um desses bancos populares. O negócio deu certo e a sua clientela era garantida. Todo mundo que chegava à quitanda se envolvia com o palavreado doce daquele homem de bigodes cerrados que falava tão fácil. A conversa, quando notava a ciência do cliente, sempre desembocava para o sentido da existência e logo sua quitanda começou a ser local de encontro de toda sorte de intelectuais, dos vazios de conteúdo aos cheios de orgulho, de gregos esmoleres que nunca deixam de existir, de estudantes abastados e pobres e vez por outra de mulheres que não se importavam muito em serem mulheres. O local era um furdunço de palavras e máximas filosóficas e no chão da quitanda havia sempre um livro marcado e um jornal riscado para se falar de um assunto interessante para alguém qualquer.
Eu persigo a minha máxima, dizia seu Édipo numa postura de herói triunfante, entre um troco e outro. Para logo peneirar a qualidade de seus clientes atarracou na parede lateral da venda a citação bíblica em latim “numerus stultorum infinitus est”. O que é que significa essa frase, seu Édipo? Sempre perguntava o velho Pedro que sofria do mal de Alzheimer, freqüentador da quitanda pelo ofício de freqüentar. Estufando o peito com orgulho dos aqueus dizia esclarecendo, “o número dos tolos é infinito”. Prosseguia, essa frase, seu Pedro, é para ver se pelo menos os que freqüentam aqui reflitam se são tolos ou não. Creio que minha missão é essa, vender minhas coisinhas aqui na quitanda e fazer a humanidade refletir, disse esquecendo a modéstia.
Um dia, indo para o trabalho, enquanto escutava na rádio a notícia da morte de um empresário rico e muito idoso viu se desenhar na sua frente uma trágica cena: Um menino de pouco mais de doze anos era atropelado por um carro desgovernado e viera a óbito no local do acidente. Perturbado pela tragédia da manhã que o entristeceu da cena crua e marcante e pela morte daquele bondoso empresário de tanta idade pensou, como num átimo: Nós só temos um dia para viver! É isso, apesar das tristezas, não há mal que não venha para o bem, cheguei à minha frase que fará a humanidade refletir. Não importa o que virá daqui a tantos anos e o que passou já se foi. Nós só temos um dia para viver porque só temos um dia para morrer. Se só morreremos num dia e se um dia nós nascemos é porque nossa existência se baseia num só dia, há só um dia para ser feliz, há só um dia para vencer as dificuldades ou para se entristecer, pensou misturando toda sua influência grega e fática daquele dia fatídico. Um dia direi aos que me perguntarem, “num momento fatídico resumi numa sentença minha teoria da vida e da morte, desvendei a minha esfinge particular.”
No dia seguinte gastou suas economias e mandou esculpir em madeira de lei, a lei eterna que queria ensinar ao mundo e a seus clientes: Nós só temos um dia para viver! Pensou em desistir do desiderato ao imaginar a frase muito simples, mas consentiu quando pensou na possibilidade da discussão que suscitava seu pensamento, o que daria mote para suas conversas sem fim. Ao terminar a escultura da frase, tirou o ensinamento bíblico e pôs o seu ensinamento não menos eterno. Os intelectuais se entusiasmaram, os jovens beberam em comemoração à explicação tão sábia, as moças que não se importavam em serem moças não deram a mínima e a noite e o dia transcorreram normal, apenas modificadas por mais uma frase de ensinamento feita por um homem que só queria fazer com que o mundo refletisse sobre sua condição fugaz.
Antônio Manuel
Recife, 27-11-2009
sábado, 21 de novembro de 2009
Do gol de bicicleta à onipotência suplicante
Casa de Manolete: É com grande alegria mediante a aquisição em ato da posse da verdade que só a Santa Igreja Católica dá a conhecer e pelas sábias palavras do estimado professor Orlando, seu filho, que trouxemos a todos os amigos e leitores do Casa de Manolete este presente intelectual e espiritual.
***
Do gol de bicicleta à onipotência suplicante
Orlando Fedeli
Per l ‘universo penetra e risplende
in uma parte più e meno altrove”
pelo universo penetra e resplandece,
numa parte mais e menos noutra”.
Ah, o entusiasmo do vento fazendo vibrar o heroísmo de bandeira erguida.
umile e alta più che creatura,
termine fisso d’ etterno consiglio,
Tu sei Colei che l’umana natura
nobilitasti sì, che Il suo Fattore
non disdegnò di farsi sua fattura.
Nel ventre tuo si raccese l´amore
per lo cui caldo nell´etterna pace
cosi è germinato questo fiore.
Qui sei a noi meridiana face
di caritate, e giuso intra i mortalli
sei di speranza fontana vivace.
Donna sei tanto grande e tanto valli
che qual vuol grazia ed a te non ricorre,
sua disianza vuol volar senza ali.
La tua benignità non pur socorre
A chi domanda, ma molte fiate
Liberamente al dimandar precorre.
In te misericórdia, in te pietate.
In te magnificenza, in te s´aduna
quantunque in creatura è di bontate”.
humilde e mais elevada que toda criatura,
objetivo fixo da eterna sabedoria,
Tu és aquela que a natureza humana
Enobreceu tanto, que seu Autor
Quis fazer-se tua feitura.
Em teu seio se reacendeu o Amor
a cujo ardor, na eterna paz
assim germinou esta flor.
Aqui és para nós meridiana face
de caridade, e lá embaixo entre os mortais
és de esperança fonte viva.
Mulher, és tão grande e tanto vales,
Que quem quer graça e a ti não recorre
Seu desejo é de voar sem ter asas.
A tua benignidade não só socorre
a quem pede, mas muitas vezes,
generosamente ao pedir precede.
Em ti misericórdia, em ti piedade,
Em ti magnificência, em ti se reúne
tudo quanto na criatura há de bondade”
Orlando Fedeli
Para citar este texto:
Orlando Fedeli - "Do gol de bicicleta à onipotência suplicante"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=gol-de-bicicleta〈=bra
Online, 22/11/2009 às 03:42h
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Em uma província espanhola, um crepúsculo dos matadores
LA VANGUARDIA
UOL
2/10/2009
Em uma província espanhola, um crepúsculo dos matadores
Michael Kimmelman
Em Barcelona (Espanha)
EMENTA: O que poderia acabar com as touradas seria a indiferença pública, a competição por parte de entretenimentos mais baratos como o futebol e os videogames e a morte de uma geração de aficionados.
Paco March concorda ao ouvir falar dessa conexão. Nativo de Barcelona, ele é o colunista de touradas do " La Vanguardia ", o segundo maior jornal da cidade. A sua filha de 15 anos é chamada de fascista pelos colegas de classe, diz ele, porque ela traz uma foto de um toureiro no caderno. Diz: "Fico furioso pelo fato de que, em nome da democracia, uma minoria de oponentes do toreo é capaz de acabar com os direitos de uma outra minoria, os aficionados, que estão desfrutando daquilo que neste país é um espetáculo legal que expressa verdades profundas sobre a vida e a morte levadas ao extremo".
Os aficionados falam desta forma. Eles observam como as touradas tornam a morte clara e visível em uma época em que a maioria das pessoas, aquelas que podem fazer tal coisa, opta por distanciar-se dessa realidade.
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Aqui na Catalunha, esta região persistentemente separatista da Espanha, as touradas enfrentam dificuldades há eras. E a economia não tem ajudado. Os preços dos ingressos para as touradas são equivalentes aos das óperas. E a produção das touradas é uma atividade cara. Neste ano o número de touradas despencou em toda a Espanha.
Mas Jose Tomas ainda atrai enormes multidões. Para os aficionados, ele é a última grande esperança para o "toreo", conforme as touradas são chamadas por aqui. Reservado, um matador dotado de um destemor e uma calma sobrenaturais, cercado de histórias e de mistérios, ele aposentou-se em 2002, aos 27 anos, e no auge da fama, apenas para retornar inesperadamente cinco anos mais tarde em Barcelona para uma tourada que seria a primeira com venda total de ingressos em 20 anos.
O toureiro José Tomas tenta pegar uma galinha que foi jogada na arena durante tourada em Ciudad Real , Espanha. Apesar do declínio das touradas na Catalunha, o matador continua atraindo multidões
Todos os 19 mil lugares do Plaza Monumental, a bela arena de tijolos e azulejos desta cidade, foram vendidos.
No último domingo ele estava de volta, para mais uma ocasião especial: talvez a última tourada na Catalunha. Nas últimas três décadas, a queda do interesse dos jovens catalães somou-se à pressão dos defensores dos direitos dos animais e dos nacionalistas da região para acabar com o toreo na Catalunha.
Nas quatro províncias da região, as arenas de touros foram fechadas; a de Barcelona é a única que ainda encontra-se ativa. Agora um referendo no parlamento catalão poderá acabar completamente com as touradas na província. Muito se tem falado nesta parte da Espanha sobre uma proibição total do toreo. Os fãs minimizavam o fato. Mas, desta vez, até mesmo os aficionados acreditam que é provável que a proibição seja aprovada.
Assim, a corrida do domingo - o termo refere-se a uma apresentação regular à tarde de três matadores e seis touros - seria mais do que apenas a última tourada da estação. Ela marcaria também o fim de uma era. E Jose Tomas (Jose Tomas Roman Martin, mas todo mundo o conhece pelo primeiro nome composto) chegou, naquilo que parecia ser uma última tentativa de preservar as touradas. Ele trouxe a sua arte e o sucesso de bilheteria.
Arte sim, mas para os aficionados. Esta é a arte do ritual, antiga e colorida, com a sua sequência de movimentos, firmemente executados mas, como os touros sempre variam, diferentes a cada vez. Uma sequência que resulta na graça de um balé por parte dos matadores, que são julgados também pela capacidade de fazer com que os touros movimentem-se graciosamente. As touradas fazem parte do patrimônio cultural espanhol, dizem os fãs. A Europa pode desejar unir-se em torno de interesses sociais e econômicos comuns, mas as culturas nacionais precisam ser respeitadas, e o toreo representa diversidade cultural.
É claro que os oponentes veem a questão de outra forma. Cerca de doze defensores dos direitos dos animais estavam em frente à arena no domingo, portando cartazes manchados de tinta vermelha.
Na rua, no La Gran Pena , um bar frequentado pelos fãs das touradas, Isabel Bardon, a proprietária, equilibrava uma bandeja cheia de cervejas enquanto atendia a uma multidão de fregueses, alguns deles esticando o pescoço para ver o matador aposentado, que sorria para fotografias ao lado de homens idosos que fumavam grossos charutos. "Isso seria uma má notícia para mim e o meu negócio", disse ela, referindo-se à possível proibição das touradas.
Pode ser. Quem sabe? O que está evidente é que, nos primeiros anos do século passado, Barcelona tinha pelo menos três arenas de touros. A cidade era uma meca para os fãs. Entre as décadas de vinte e sessenta houve mais touradas aqui do que em qualquer outra cidade espanhola.
Mas os nacionalistas catalães passaram a espalhar a ideia de que o toreo seria uma imposição à Catalunha feita pelo regime fascista de Franco, que promovia as touradas, bem como o "flamenco", um símbolo patriótico.
A oposição às touradas transformou- se em uma declaração de separatismo por outros meios. Os direitos dos animais surgiram depois e alimentaram a agenda nacionalista.
O fato de a questão continuar sendo sobretudo política é demonstrado do outro lado da fronteira, na região catalã do sul da França, onde as touradas são defendidas de forma tão feroz quanto são combatidas na Catalunha espanhola, por exatamente as mesmas razões separatistas. No caso dos catalães franceses, o motivo é o fato de as touradas terem sido proibidas por Paris.
"Em um momento em que a Europa está se tornando maior e mais multicultural, Barcelona fica menor e mais catalã", opina Robert Elms, um escritor britânico que já morou aqui. Ele veio para ver Jose Tomas, e observou, antes da tourada, como a cidade sombria, mas mágica, que ele conheceu no passado transformou- se em um local brilhante modificado por designers, mas que, não obstante, parece cada vez mais introspectivo.
"É a futilidade", diz ele. "Esta é a única palavra para descrever o que se passa. A futilidade descreve uma cultura insegura". Ele acrescentou que a possibilidade de proibição das touradas equivale a uma lei daqui que exige que as crianças nas escolas recebam grande parte da sua educação em catalão, e não em espanhol.
Paco March concorda ao ouvir falar dessa conexão. Nativo de Barcelona, ele é o colunista de touradas do " La Vanguardia ", o segundo maior jornal da cidade. A sua filha de 15 anos é chamada de fascista pelos colegas de classe, diz ele, porque ela traz uma foto de um toureiro no caderno.
"Fico furioso pelo fato de que, em nome da democracia, uma minoria de oponentes do toreo é capaz de acabar com os direitos de uma outra minoria, os aficionados, que estão desfrutando daquilo que neste país é um espetáculo legal que expressa verdades profundas sobre a vida e a morte levadas ao extremo".
Os aficionados falam desta forma. Eles observam como as touradas tornam a morte clara e visível em uma época em que a maioria das pessoas, aquelas que podem fazer tal coisa, opta por distanciar-se dessa realidade. Algumas dessas mesmas pessoas concordam com a pecuária em escala industrial ao comerem carne, mas elas condenam as touradas. Ou elas vão a touradas em lugares como Portugal, onde os touros não são mortos pelos matadores. Os animais são abatidos depois, fora da arena, para que ninguém veja.
Para os matadores, isso é totalmente injusto, porque nega a eles a sua obrigação para com os touros, com os quais eles lutaram, e não lhes proporciona a vulnerabilidade especial que eles deveriam experimentar nesse momento da tourada.
Concordando ou não com esse argumento, seria um erro concluir que um fim das touradas aqui seja o prelúdio de uma proibição em toda a Espanha.
Embora três quartos dos espanhóis afirmem não ter interesse pelas touradas, eles detestam que estrangeiros lhes digam o que podem ou não fazer. É por isso que a Espanha tem resistido consistentemente às pressões do Parlamento Europeu e do Tribunal Europeu de Direitos Humanos para acabar com o toreo. O que poderia acabar com as touradas seria a indiferença pública, a competição por parte de entretenimentos mais baratos como o futebol e os videogames e a morte de uma geração de aficionados.
Assim, na luz fraca de uma tarde quente do início do outono, em meio aos clarões de lâmpadas e gritos de "Torero!" e "Olé", Jose Tomas apareceu pelo menos uma última vez em Barcelona, como principal representante de uma arte que enfrenta problemas. Ele executou a sua série usual de passes emocionantes com os touros. Assim como Roger Federe, ele faz com que cada movimento pareça ser impossivelmente lento e estilizado.
"Esta corrida talentosa para terminar a estação pode ter sido a última nesta arena", lamentou o "El Pais", o jornal espanhol, na manhã seguinte. "Que vergonha o fato de os políticos proibirem as touradas aqui".
March, o colunista de touradas do " La Vanguardia ", expressou-se de forma mais contundente. "Nós queremos ser diferentes do resto da Espanha ao não matarmos touros", disse ele. "Mas o que nós estamos matando é a nossa cultura".
Tradução: UOL
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Dois esportes. Dois homens... Ou apenas um?
A arte acarreta valores para quem pratica. Uma boa arte traz bons valores que se expressam nos modos de ser e de se portar diante de Deus e das pessoas. É certo também que a arte tem um papel fundamental de imprimir idéias e concepções filosóficas. Sabendo disso Casa de Manolete deixa duas fotos para os nossos leitores julgarem as conseqüências de certos esportes na vida de um homem. Um brasileiro e outro, espanhol. Um lida com a bola e com a "arte" de meter a bola entre três traves, o outro, com a coragem de enfrentar a morte mesma.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
EN UNA MAÑANA AZUL DE MÉXICO. AL SOL.
Pe. Francisco Vera, mais um padre das planícies mexicanas. Um homem que viveu sua vida para ofertar o precioso sacrifício a Deus. Abraçando com destemor a morte, venceu-a. Sua expressão diante dos algozes é um canto de oração ao céu, uma vergonha contra o governo maçom de Ellias Cales. Aqui, nossa singela homenagem a esse servus Dei que deu sua vida em holocausto para engrandece os católicos do México e de todos os que ardem de amor à Santa Igreja Católica.
Casa de Manolete
EN UNA MAÑANA AZUL DE MÉXICO.
AL SOL.
Homenaje al Padre Francisco Vera,
sacerdote y mártir
Padre, de quien ni tu nombre sabia hasta hoy, y quizás bien pocos lo conocen, en la tierra, quiero rendirte, mártir de Diós, mi pobre, pero ardiente homenaje.
Casi nadie sabe, hoy, de tu sacrificio ocurrido, hace tantos años, en una mañana azul de México. Ni al menos se sabe que hubo un gobierno masónico y comunista, en México, en el siglo XX, y que persiguió a la Iglesia de Dios, asesinando sus sacerdotes.
Hoy, casi nadie te conoce. La Historia te olvidó. Ella, hoy, solo alaba tus asesinos. Hoy se hacen acuerdos con ellos, y se los llaman “los hombres de buena voluntad”.
Mismo los católicos no saben de tu martirio. Y – dolor supremo – la Iglesia, al menos por sus autoridades más en vista, parece que quieren olvidarte, olvidar tu heroísmo y tu confesión de la Fe.
Tu eres um padre de otros tiempos.
Hoy todo ha cambiado.
Hoy, no se quieren sacerdotes intransigentes que terminan mártires: se quiere el diálogo. El diálogo ecuménico y relativista, que es capaz de hacer acuerdos los más increíbles. Hasta con la herejia Hasta con el pecado.
Se quieren sacerdotes amables, diplomáticos y simpáticos y no padres “tercos como tu, con tu cara seria y imperturbable ante la muerte”. [Perdóneme, Padre Francisco, son ellos, los modernos, los modernistas, los acróbatas del diálogo, que te dirían eso. Yo, nunca! Yo nunca!]
Para los modernistas actuales, tu comportamiento ha sido por demás radical – dicen—y muy poco abierto, y nada ecuménico.
A los ojos de los prudentes de este mundo, tu has sido un fanático.
Solo estabas en aquella mañana azul, al sol de México – al sol de Dios – a dar tu silencioso testigo, sereno, ante las armas asesinas.
Todo era calma y suavidad en aquella cena vista por pocos en la tierra, pero contemplada con amor ardiente por los Ángeles. Al sol, en la mañana azul de México.
Al sol.
Inusitadamente con los paramentos de la Misa, al sol, en tu silencio, tu parecías decir a los que te iban a matar: “Introibo ad altare Dei”.
Entraré hacia el altar de Dios.
Si! Jamás, Padre Francisco, tu has pronunciado esas palabras del principio de la Misa de manera más verdadera que en esa mañana, en la cual entraste al cielo del Altísimo.
Verdaderamente el perfecto Introibo ad altare Dei.
En esa Misa, al sol, en la mañana azul de México, solo, ante los carrascos, tu mismo eres la ostia de tu ofertorio. No solamente presentabas la ofrenda a Dios, tu la ofrecías en pagamiento por los pecados de mundo, junto con la ostia Divina ofertada en el Calvario, al sol también, una tarde, ...hace tanto tiempo..., eternamente.
De ahí, la suavidad y serenidad con que mirabas a los soldados que miraban tu persona sacerdotal.
Y ellos, también, parece que ellos también, te miraban dulcemente, con las caras cariñosamente apoyadas al fusil.
Y te miraban com lentitud, suave y calmamente, para no perder el tiro.
Uno te miraba a la cabeza, para punir tu pensamiento fiel a una Iglesia retrógrada, fiel a una Iglesia que no acepta el mundo moderno, ni su “civilización” pagana. Tu, fiel a la Iglesia que se recusa a evolucionar, y a aderir – cum guadio et spes – al mundo y a su príncipe, tu te estabas parado ante el mundo nuevo. Tu , hombre del mundo antiguo, hijo de la Iglesia de siempre, hijo de la Roma eterna, sacerdote del Altísimo, in aeternum secundum ordinem de Melquisedec, en el paredón, para morir por Dios.
En la mañana azul, al sol, cum Gaudium et Spes, diciendo un NO rotundo y mudo, pero clamoroso por tu sangre, al mundo moderno, a sus pompas miserables y a sus obras tenebrosas y impías.
Y en silencio, tu aguardabas el orden de fuego del oficial a los carrascos.
Y encuanto aguardabas, ellos te miraban dulcemente, te apuntaban dulcemente.
Y un otro miraba a tu corazón, para matar tu caridad, para que se vertiese de el la sangre de tu amor inextinguible. Y al orden de “Fuego”, el deseaba extinguir tu amor de fuego.
Y solo lograba, entonces, a alimentar el fuego con FUEGO.
Ellos te miraban dulcemente, para matarte, encuanto tu los mirabas dulcemente, perdonándolos, aguardando que te abriesen con los disparos, la puerta del cielo en la mañana azul de Méjico.
Al sol.
Te he dicho ya que, hoy, los curas no se parecen contigo?
Mira, tengo una otra foto, aquí, en mis manos.
Es la de otro sacerdote.
Ahora es la de un sacerdote actual, un sacerdote pos moderno. Un sacerdote como tu, pero de los nuevos tiempos posteriores al Vaticano II. Un sacerdote modernista que quiere volver a ser primitivo.
Yo no puedo publicar su foto, que está en una revista que se dice católica.
Pero tu la puedes ver desde el cielo.
¿Es esta la figura de un sacerdote católico?
Si, es de un sacerdote católico. Un pseudo misionero.
El no tiene paramentos. Ni al menos usa camisa. Esta medio desnudo - aculturado --- entre los indios a los cuales debería llevar la religión verdadera. Medio desnudo en la noche de las tinieblas de la muerte.
Mira sus ojos.
Son vacíos. Y miran la noche.
Parece que no tiene más alma.
El quiere solamente hacer fluir su vida, a manera salvaje, mirando la noche.
Para el se apagó el Sol de Justicia, y no hay verdad. Y no hay más sol. Y no hay más mañana azul en las cuales se puede morir por la verdad.
Al sol.
El es incapaz de decir- y menos aún de comprender – el Introito ad altare Dei.
Y no tiene nada a ofrecer.
¿Y que ofertorio seria el capaz de hacer?
El seria solamente competente para la presentación de dones, fruto de la tierra y del trabajo del hombre.
La diferencia entre el y tu es la del natural al sobrenatural.
¡ Y cuántos no son ni capaces de ver esto!
Y cuántos sacerdotes conservadores resguardan la impiedad y los errores de los malos por imitar sus acciones malas con acciones equívocas. La “bondad” – el “amor”, como dicen ahora, y no más la caridad -- y la “obediencia” de ciertos curas son el escudo y la excusa para muchos errores…
¿Que es un sacerdote conservador?
Es aquel que hará mañana lo que el modernista hizo anteayer.
¿Que es un sacerdote conservador?
Es aquel que dice siempre que hará mañana lo que el sacerdote heroico debería hacer ahora.
Lo que usted hizo ayer, en México, en una mañana azul. Al sol.
Dicen: “Hoy, no, porque hay dificultades, y es preciso ser prudentes. Y es preciso obedecer. Prudentemente, aunque contra la Fe. Además, hoy, estoy muy ocupado”…
¿Que es un sacerdote conservador?
Es un cura muy hábil en encontrar razones que posterguen, o dispensen, de cumplir el deber, ahora.
Estos, jamás irán al paredón.
Pero tu Padre Francisco Vera, en tu fidelidad, tu fuiste hasta el paredón. Hasta el cielo. En una mañana azul de México.
Al sol.
Tu, Padre, cuyo nombre desconocía yo hasta esta mañana, tu nombre es exaltado en los cielos por los coros de los ángeles y de los santos. Porque tu hiciste la voluntad de Dios en la tierra, como la quiere El en el cielo. Sin fugas y sin esquivas. Bravamente.
Al sol.
Bien aventurado eres tu, Padre Francisco. Por eso te dedico unos pobres versos, que hice, un día, pero que deseo sean para homenajearte.
En mi alma hay una llama
que la quema por entera.
El amor es que me llama
A morir por tu bandera
¡Es mi Dios el que me llama
A morir por su bandera!
Si la Iglesia verdadera,
la mi vida me pidiera,
yo mil vidas yo las diera
por la Iglesia y su bandera.
Diez mil vidas yo las diera,
por guardar la Fe entera.
Ah gran Dios, y bien quisiera
Que mi alma antorcha fuera,
que otras almas encendiera,
´n el amor por tu bandera.
Que en mi alma siempre ardiera
El amor por tu bandera
Y la gloria derradera
Por la cual yo bien muriera,
Dar mi sangre roja y fiera
Por mi Dios y su bandera.
Con mi sangre roja y fiera
Hacer roja su bandera.
Pudiera yo, como tu, dar también mi sangre, sin valor, y dar mi vida, con tantos pecados, por Dios, por la Iglesia y por su bandera!
Si.
Es lo que te pido, padre Francisco, que me obtengas de Dios—aunque yo no lo merezca de ningún modo –morir como usted, por la Iglesia y su bandera.
En una mañana azul.
Al sol.
In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli.
El 27 Noviembre del 2.003.
"En una mañana azul de México"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=cristeros〈=esp
Online, 07/05/2009 às 21:21h
sexta-feira, 27 de março de 2009
Toledo
Vielas estreitas,
tortuosa, direitas.
Sol. Sombra. Segredos.
Escadarias. Lajedos.
Janelas antigas,
portais, cantigas.
Arcos mouriscos,
desafios, riscos.
Praças ensolaradas.
Lentas badaladas
dos sinos da torre.
Nas tardes calmas,
ardem as almas.
No dia que morre,
preces murmurantes.
Monjas, frades, infantes.
Silêncio na Catedral,
esplendor de vitral.
Crepúsculos de ouro.
Na capital do mouro,
um imperador triunfando.
O Tejo espumando,
bravio nos rochedos,
abraçando Toledo,
cheia de contos e tesouros...
Corrida de touros.
Sol. Sangue. Bravura.
A Espanha de armadura.
Escudos e espadas,
claustros e cruzadas.
Águias de glória.
Em cada pedra, uma história,
em cada recanto uma lenda,
nas muralhas sem fenda
da cidadela de outrora,
nas ruínas de agora.
Estocadas, banderilhas,
damas de mantilhas,
cavaleiros de escol,
Ponte de Alcântara. Porta do Sol.
Ousadia que arranca
dos infiéis, de Maomé,
Santa Maria,
Nas torres queimadas,
almas cruzadas.
Nas muralhas destruídas,
sacrifícios de vidas.
Ao sol, um heroísmo sem medo.
Ao sol, o Alcazar de Toledo.
Orlando Fedeli


